Retirado de http://respostadeativista.blogspot.com/
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Sim, nossas atitudes são inoportunas para muita gente, como em outros tempos outras atitudes causaram estranheza. Foi assim quando as mulheres saíram às ruas pedindo espaço e direitos políticos, ou quando trabalhadores exigiram novos direitos e tem sido assim a cada transformação cultural. Muitos outros exemplos poderiam ser citados para mostrar que estamos diante de uma grande transformação cultural.
Não
queremos agredir, mas temos uma causa. Estamos aprendendo a construir
um mundo diferente daquele que temos vivido onde os animais são vistos
como objetos de consumo humano. Também estamos aprendendo a criar
espaços num mundo que ainda não nos reconhece e não somos uma unidade
entre nós, porque ainda não temos um espaço neste universo cultural que
compartilhamos e porque somos todos singulares. Mas dentro de nossa
pluralidade há um consenso: animais foram feitos para serem livres e
não para serem explorados e sacrificados pelos humanos. Como os animais
não podem se defender da escravidão e exploração, muitas vezes cruel a
que têm sido submetidos, nos unimos neste ideal pelos animais e não
contra aqueles que agem e pensam diferente do que nós. Apenas queríamos
que a humanidade que agora povoa a terra assumisse sua responsabilidade
para com estes seres mais vulneráveis e para com a natureza degradada e
modificasse sua postura de dominação.
Seria
mais fácil se pudessem também nos ouvir e compreender e ver que temos
uma causa libertária e queríamos que entendessem que nosso alvo é
acabar com o sofrimento de seres inocentes e indefesos e não criar
novas disputas ou mesmo celeumas. Fazemos parte deste mundo
não-vegetariano e sabemos como é a ótica antropocêntrica (especista) na
qual o mundo ocidental está calcado. Agora pedimos que vejam a nossa
ótica e entendam porque agimos assim. Se não estivesse em jogo a vida
de animais inocentes agiríamos diferente. Na realidade não nos
importamos com os hábitos dos outros, mas gostaríamos de acabar com o
sofrimento dos animais, que são mais indefesos, por isto nossas ações.
Elas não estão relacionadas diretamente ao que as pessoas fazem ou
deixam de fazer, mas ao que acontece a animais que são injustamente
explorados e maltratados.
Lamentamos
que alguns nos vejam como numa disputa de ideais ou de qualquer tipo.
Também estamos aprendendo a construir outro espaço onde nossos hábitos
possam ser recebidos e respeitados e estamos aprendendo a criar este
espaço, o que nem sempre é fácil para todos. Muitas vezes somos
agredidos simplesmente por sermos diferentes, num mundo que ainda não
aprendeu a nos respeitar e nos incluir. Somos apenas uma minoria que
gostaria de não mais ver seres indefesos sofrendo para satisfazerem
necessidades humanas. Não queremos desrespeitar ou agredir ninguém;
nosso foco é livrar os animais do sofrimento que causamos a eles na
busca do bem-estar humano.
Na realidade queremos é defender um ideal de respeito a todos e não agredir ninguém, mas estamos vivendo uma crise de paradigma e é provável que muitos nos vejam com estranheza e preconceito por conta de uma lenta transformação cultural que ainda não se processou. Saibam que nossa intenção não é agredir e sim ganhar um espaço e defender um ideal de respeito e mesmo dignidade inclusiva aos animais. Tampouco queremos impor uma forma de vida ou visão de mundo. Entendam que nossas ações são por causa dos animais e não por causa do que outras pessoas fazem ou pensam ou deixam de fazer, mas isto nos leva a um confronto inevitável. Este é o começo de um novo caminho, desconhecido ainda por todos, que é a construção de uma nova forma de viver na natureza e de uma nova forma de conceber a relação do homem com os demais animais e a natureza. Isto pode gerar um conflito entre os que pensam diferente, mas o ideal de libertar os animais do sofrimento nos leva a prosseguir. Estamos neste conflito sendo agentes de uma grande mudança. Nosso único objetivo é a libertação dos animais da crueldade e da exploração humana.
Nota: Caso alguém se sinta diminuído ou comparado a animais, é preciso reforçar que não comparamos os humanos aos animais, apesar de sermos todos animais, mas estes exemplos ilustram a resistência que existe diante de novos paradigmas. (Tampouco partimos da lógica que dá menos valor a alguns seres ou pessoas, por isto esta comparação não faz parte de nosso discurso). A mudança de paradigma que se apresenta agora é a idéia de que o homem não só não é o centro de todas as coisas, como tampouco a natureza e o universo foram feitos para nos servir ou para serem usados por nós. O paradigma do qual somos porta-vozes nestas manifestações traduz, além do respeito aos animais, a idéia de que o homem participa do universo como tudo e todos também estão conectados entre si harmoniosamente. A postura de dominação que o homem tenta impor a tudo e a todos não somente é eticamente ultrapassada como tem sido responsável pelo grande desequilíbrio que estamos vivendo na natureza e mesmo em outros grandes conflitos da nossa atual civilização. O respeito aos animais faz parte de outra ética, de outra lógica, de outra forma de nos colocarmos no universo, como participantes responsáveis e por isto capazes de preservar a natureza e a harmonia que temos afetado neste lugar de dominação. E esta é a tônica de nossas manifestações, porque nos opomos à exploração que domina e subjuga os indefesos.